Colonização
Açoriana
Em meados de 1749, chegaram em Laguna as primeiras famílias açorianas.
Entre aquele ano e 1756, chegaram outras levas de colonizadores que se estabeleceram
nesta região e em outros pontos do litoral catarinense. Trouxeram
em sua bagagem usos e costumes de sua terra de origem os quais ganharam novos
ares por estas paragens e se incorporaram definitivamente à nova terra.
Foram eles que introduziram culturas como trigo, o linho e o cânhamo,
bem como o açúcar e o feijão, entre outros. Desenvolveram
os engenhos de cana e farinha movidos por tração animal, e
que ainda podem ser encontrados no interior de Laguna. Simultaneamente à agricultura,
desenvolveram a pesca, o comércio de peixe seco e a navegação.
A renda de bilros foi uma tradição trazida pelas mulheres,
e que ainda permanece, como também as festas religiosas, com destaque
para a do Divino Espírito Santo, que se iniciava no domingo de Páscoa
e terminava em Pentecostes. A cantoria do Terno de Reis é também
conservada em algumas comunidades até os nossos dias. Estes são
alguns dos costumes que os lagunenses herdaram de seus antepassados açorianos,
motivo de orgulho para o povo lagunense.
Gastronomia
A gastronomia da Laguna está ligada à seus antepassados açorianos,
sendo os frutos do mar a base principal dos pratos. Com o passar dos tempos,
as receitas foram se modificando, mas sem perder a essência. O camarão
desponta como a vedete destes pratos, com receitas que vão desde o
camarão ao bafo até o frito ao alho e óleo. O peixe
também figura na culinária lagunense, dos caldos ao peixe frito,
sendo a tainha e a anchova os mais apreciados. Com seus poderes afrodisíacos,
está presente o marisco ensopado, frito, à milanesa ou à vinagrete
e a sopa de tatuíra. Os pratos podem ser saboreados em todos os restaurantes
da cidade, que primam pela preservação da cultura dos nossos
antepassados.
Folclore
O boi-de-mamão foi trazido para estas bandas há mais de 250
anos e conta a história do empregado de uma fazenda cuja mulher grávida
desejou comer língua de boi. Ainda hoje, a brincadeira é encenada
nas comunidades de Ponta das Pedras e Ribeirão Pequeno. O folclore
manifesta-se também na Dança da Ratoeira, no Pau-de-Fitas e
nas cantigas do Terno de Reis.
Artesanato
O artesanato da cidade tem como referencial a cultura açoriana, predominante
na região. Ele se mesclou a outros valores culturais, frutos de uma
convivência multicultural e secular. O artesanato à base de
linha, utilizada em Laguna de uma forma muito especial na Passagem da Barra,
para a confecção das rendas de bilro, crivo, troco, teares
manuais para tapetes e mantas, bem como as tarrafas utilizadas pelos pescadores.
A palha também é utilizada na produ-ção de certas
bonecas, chapéus e tipitis. Destaca-se também o barro, utilizado
na confecção de peças de cerâmica. Conchas e moluscos
são utilizadas para a confecção de lembranças.